Por: Jackson Lima
Fotos: Fotografo Studio

Ivan Trilha
O homem que o exílio ajudou a formar Mentalista e Paranormal retoma a carreira, Foz está no roteiro. A Revista 100 Fronteiras o recebeu para uma conversa. “É um privilégio morar nas Três Fronteiras. Isso aqui é meu lar.” Diz Ivan trilha em visita à Revista 100 Fronteiras. Mentalizador, guru de famosos nos 70 e 80. Ivan Trilha volta à estrada com sua mensagem de amor. Descendente de ciganos húngaros que imigraram para o Rio Grande do Sul, seguiu os passos da avó, que lia tarô e atendia famílias da região de São Borja. Uma dessas famílias era a de João Goulart, político e presidente do Brasil. Ao morrer a avó, o menino ficou órfão. Dona Neuza Goulart Brizola, irmã do presidente Goulart e esposa de Leonel de Moura Brizola adotou o menino. “Na fazenda do Dr. Jango, lembra, passei a curar pequenos animais quando tinha sete anos”. O presidente era fã desse filho adotado. Trilha prossegue, “o Dr. Jango mesmo recomendava e dizia aos visitantes que o menino podia assessorá-los em muita coisa”. E assim foi. O tempo passou. João Goulart foi vice presidente do Brasil, depois chegou a presidente. E o jovem Ivan Trilha cresceu circulando entre os visitantes, a maioria da corrente política internacional socialista. De repente veio o Golpe Militar de 1964, também chamado de “a Revolução Redentora” que terminou mandando para o exílio não só o presidente João Goulart, mas toda a família, incluindo Ivan Trilha. “O passado é importante mas está morto para mim”, enfatizou. Apesar de deixar o passado de lado, ele classificou esse período como sendo “aquele em que o Brasil perdeu a alma” e como uma época altamente negativa para o País.

Exílio
Primeiro veio uma temporada no Paraguai e depois no Uruguai, com idas e vindas. Porém sempre passando longe do Brasil. Esse exílio apesar de doloroso ajudou a formar a cabeça do jovem. Por isso ele tem aquele sentimento de pertencer a toda parte. “É um absurdo que em pleno século XXI ainda existam fronteiras: tanto fronteiras mentais do homem como fronteiras entre os homens”, destaca. O seu pai adotivo lhe anunciou um dia uma decisão. “Você vai para a Europa. Para ver o mundo”, contou. E assim ele partiu. No exílio, quer no Paraguai, no Uruguai ou na Europa, o que não faltavam eram brasileiros. Um deles, Glauber Rocha, depois de uma longa conversa sobre a força da mente, disse: “você é a força da mente”, e o encorajou a escrever um livro. Ele escreveu, entre Portugal e França, O Poder da Mente. “Vendeu mais de um milhão de cópias”, contou. O sucesso já havia começado antes da crise política devido a predições famosas como aquela em que viu a morte do presidente John Kennedy em 1963, sete dias antes de acontecer. Foi em um famoso programa de auditório na antiga TV Tupi. Além do livro, outra ferramenta encontrada por Ivan Tilha para levar a mensagem dele foi a música. Ainda se pode encontrar LPs do álbum Sinfonia dos Signos, um precursor da música da Nova Era. Hoje e, de volta, Trilha anuncia mais dois CDs com composições suas. Um vai se chamar Caminhos de Santiago e o outro Caminhos da Estrada Real. Em 1978, Trilha voltou ao Brasil. A entrada desse grande Condor Dourado, se deu por Foz do Iguaçu, com a anistia e com a volta de Leonel Brizola.

De volta à estrada
Durante os anos 80, Ivan Trilha preferiu evitar os holofotes, cultivar o silêncio e sair da mídia. Isso ele conseguiu sem problemas até o dia em que perguntou ao universo o que ele deveria fazer nessa nova etapa da vida. “Eu disse que esperava a resposta em sete dias” – conto durante visita a redação da Revista 100 Fronteiras. Foi então que, sem saber, o jornalista Paulo César de Oliveira, editor da Revista Viver Brasil de Belo Horizonte e colunista de vários jornais, fez um comentário em um de seus artigos. Escreveu Paulo César Oliveira: “Antes do livro O Segredo e antes de Paulo Coelho, os livros de Ivan Trilha jpa eram best sellers no mundo inteiro. Ele conta que a nota foi repercutida por outros jornalistas e o retorno foi inadiável. “Foi a resposta do universo.”, celebra e conta que voltou a escrever. O próximo livro levará o nome Mentalize e Realize Agora.

Mensagem das Águas
Já que ele tem essa visão meio mística da região, a Revista 100 Fronteiras quis saber qual a explicação para o crescimento de atividades espirituais e cerimônias em torno das Cataratas do Iguaçu. O que o senhor vê nisso? A resposta tem quem quer, colocada no papel ao pé da letra. Pausadamente, ele respondeu:
“As Cataratas são um templo espiritual do mundo. As Cataratas são a Catedral do Planeta. As Cataratas tem uma sinfonia musical própria. As Cataratas têm uma vida fantástica. È um patrimônio do Universo. É um privilégio viver nas Três Fronteiras. É um ato de graça viver nas Três Fronteiras, neste ciclo magnético espiritual, cultural e econômico”, disse. Os anos vividos no Uruguai e Paraguai deixaram marcas profundas. Mas não foram marcas negativas. Graças a essa experiência ele pode conhecer profundamente o povo paraguaio, o povo argentino, os brasileiros e outros sul-americanos. “Nasci na fronteira, conheço bem e amo as Três Fronteiras, me criei com o som do chamamé, da polca, das guaranias de José Asunción Flores e Manuel Ortiz Guerrero”, diz Trilha, que dá uma explicação nativista para a existência desse triângulo de países: Brasil, Argentina e Paraguai descendem de Três caciques: Tupi, Guarani e Charrua, que formam uma unidade espiritual”, afirma. Ainda muito concentrado, Ivan Trilha falou de uma visão de fronteira que hoje parece ter ficado para trás. “Falo em uma música minha sobre amores de fronteira. Os amores de um dia. É tão lindo, você vê um dia e talvez não volte nunca mais a ver esse amor da fronteira. Os amores passageiros. Assim é a natureza da fronteira, os amores da fronteira. Assim são as águas das Cataratas, as águas azuis, as águas douradas. Nós temos que zelar por isso, temos que querer isso, agradecer a tudo isso. Agradecer pelo privilégio de morar nas Três Fronteiras. É um templo fabuloso. É um templo espiritual dos antigos. O que os habitantes da terra estão fazendo hoje, já faziam os antigos, já faziam os tupi, os guarani, os charrua. As mesmas cerimônias de agradecimento à terra.

Houve Desvio?
Ainda sobre o triângulo das nações indígenas originais, Ivan Trilha lembrou do triângulo de governos que começara, democráticos com propostas de defesa do povo: Perón na Argentina, Stroessner no Paraguai, Getúlio e Goulart no Brasil. O que esses governos queriam dar ao povo era o que Trilha tanto gosta de usar, o triângulo da educação, saúde e alimentação. O que deu errado? Houve um desvio? Partidos não existem sem grandes líderes – respondeu. Após a entrevista Trilha se preparou para viajar a Assunção, Montevidéo e Buenos Aires, refazendo o caminho trilhado tantas vezes. No caminho ele encontra tempo para atendimentos, palestras, entrevistas e consultoria.

Serviço: www.ivantrilha.com.br